Em um discurso duro na Câmara, o presidente da Casa, César Porto (PP), mirou o governo municipal e deixou um recado que, nos bastidores, costuma anteceder crises maiores: a bancada está se sentindo ignorada — e não pretende normalizar isso.
“O que existe é uma insatisfação unânime da bancada com a falta de atenção e retorno de alguns membros do governo. Eu me posicionei para mostrar que a bancada está insatisfeita e tem que ser respeitada”, disse Porto ao site.
A fala é direta, mas o subtexto é ainda mais claro: quando o presidente da Câmara decide falar em “unanimidade”, ele tenta tirar o tema do campo individual e colocar no plano institucional — como quem avisa que não é birra, é recado político.
E, ao ser questionado sobre nomes, Porto resolveu dar endereço.
“Tem vereadores que têm mais de 20 dias que mandaram mensagem para o secretário Cristiano Carvalho e, até hoje, não têm resposta. A mesma coisa com o chefe de gabinete Caio. O prefeito Valderico Jr está bem avaliado, mas alguns secretários estão se achando Deus”, disparou.
A estratégia também chama atenção: César separa o prefeito do desgaste — elogia a avaliação de Valderico Jr — e concentra a pressão em figuras do entorno. É um movimento típico quando se quer criar correção de rota sem romper a ponte com o chefe do Executivo.
No fim, a mensagem do Legislativo é simples e incômoda para qualquer governo: vereador pode até reclamar no cafezinho, mas quando reclama no microfone — e com nomes — é porque quer resposta. E, desta vez, quer com urgência.
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