O rompimento entre o prefeito de Ilhéus, Valderico Junior, e o vereador Vinícius Alcântara ganhou contornos de crise política — e agora também de caso de polícia.
Nos bastidores da prefeitura, a versão que circula é a de que o vereador, ex-aliado de primeira hora do prefeito, teria condicionado a manutenção do apoio político à entrega de duas secretarias municipais para indicações de seu grupo. Ouviu um não.
A recusa, segundo pessoas ligadas ao caso, azedou de vez a relação. Valderico se escorou no argumento de que não poderia abrir espaço no Executivo para um vereador sem afrontar a separação entre os Poderes.
Foi a partir daí, diz a queixa-crime apresentada na 1ª Vara Criminal de Ilhéus, que Vinícius passou a subir o tom. Primeiro, com críticas à merenda escolar. Depois, com acusações mais pesadas: fraude, superfaturamento e desvio de recursos na compra de alimentos.
A ofensiva se espalhou também para outros temas sensíveis da gestão, como a tarifa de ônibus e a instalação de radares eletrônicos.
O entorno do prefeito sustenta que as acusações não vieram acompanhadas de provas. E aponta que tentativas de levar os casos adiante não prosperaram: o Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia rejeitou pedido de fiscalização sobre a merenda por falta de elementos mínimos, enquanto ações sobre radares e transporte foram consideradas improcedentes.
Sentindo-se alvo de uma perseguição política depois de negar espaço na máquina, Valderico decidiu judicializar o embate. Entrou com queixa-crime por calúnia, injúria e difamação.
Na ação, a defesa sustenta que o vereador ultrapassou a proteção da imunidade parlamentar ao transformar o mandato em palanque para ataques pessoais.
O caso corre sob segredo de Justiça, mas, em Ilhéus, já virou símbolo de uma velha disputa: até onde vai a aliança política quando o loteamento do poder encontra um limite.

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